A prova “cega” dos mais de cem vinhos que se apresentaram a concurso decorreu no passado dia 26 de junho, nas instalações da CCILE, em Lisboa, e a opinião e notas atribuídas dos dois provadores sobre cada um dos vinhos foi quase sempre unânime. “Foi muito fácil o consenso quando atribuíamos notas a cada vinho”, o qual era experimentado em copo, retirado de garrafa tapada, por forma a não identificar o produtor. Apenas era identificado se se tratava de um vinho extremenho ou alentejano e qual a categoria a que concorria (branco, branco jovem, rosé, tinto jovem, tinto com três a seis meses de estágio, tinto com mais de seis meses, e, pela primeira vez, espumantes ou cavas, ou seja, sete categorias). 

A concurso, estiveram vinhos de 30 adegas produtoras, das quais 19 extremenhas e 11 alentejanas, que receberam no total 36 prémios.

“Provámos uma muito boa representação da maioria das principais adegas da região e constatámos que além de continuarem a enviar bastantes produtos, também a qualidade dos vinhos extremenhos em competição” tem melhorado, quer a nível visual, olfativo ou gustativo, assim como da apresentação exterior da rotulagem, como sublinhou no dia da prova a sommelier e professora ligada a escolas de hotelaria e turismo de Portugal e Espanha Sara Peñas. Também Fernando Melo considerou, na altura, que a prova tem vindo a ganhar valor pela melhoria da qualidade e diversidade dos vinhos espanhóis que se apresentam a concurso e que têm tirado partido da proximidade aos terroirs alentejanos. “O estilo dos vinhos do Alentejo já está muito consolidado, com alguns dos nossos melhores produtores, que são desta região”, sendo agora a vez dos concorrentes da região fronteiriça afirmarem o seu estilo, referiu então o crítico português.

Na revelação dos prémios atribuídos, que decorreu no passado dia 24 de outubro, no El Corte Inglés de Lisboa (um dos parceiros da iniciativa ibérica), Sara Peñas destacou algumas semelhanças das duas regiões a nível agrícola e geográfico. “Partilhamos uma identidade ibérica numa paisagem comum, de sobreiros (com a nossa indústria da cortiça) e azinheiras, com as suas bolotas, as castanhas do nosso porco preto, e, além de que contamos com bons produtos agroalimentares, como os azeites, queijos e grandes vinhos, como os presentes nesta prova”. Uma “identidade ibérica” presente também nas “castas, alias, o nome dos prémios “Arabel”, vem de Aragonez+Cencibel, e a possível próxima incorporação de castas portuguesas, como a Touriga Nacional e a Trincadeira na produção de vinhos extremenhos”, referiu a especialista. 

No mesmo evento de divulgação dos vinhos premiados, estiveram presentes diversos representantes da Extremadura Avante e ainda das adegas participantes do concurso. Segundo destacou Nieves Franco, International Business Area Manager da Extremadura Avante, o encontro permite conhecer “a diversidade tão fantástica que temos de vinhos” nas duas regiões transfronteiriças, referiu, sublinhando ainda que, a nível de comercialização, muitos vinhos extremenhos destes produtores estão já em Portugal.

 

Produtores salientam importância do concurso para divulgação dos vinhos

De entre as adegas presentes no evento do passado dia 24 de outubro, esteve a Monte da Comenda Agroturismo, que recebeu um dos prémios de “Ouro” pelo seu vinho tinto com mais de seis meses de estágio. O Seis Castas já recebeu “quatro medalhas de ouro”, referiu António Lopes, sócio gerente da empresa. Um vinho de sucesso, que nem sequer é o topo de gama da adega, explica o mesmo responsável.

Com uma grande variedade de vinhos no mercado, este produtor familiar de Arraiolos (Alentejo) exporta cerca de metade da produção, com destaque para o Brasil, Alemanha e Suíça.  

Quanto à importância deste tipo de concursos, António Lopes sublinha que “são muito importantes, pois estimulam-nos muito” e o facto de ser uma prova ibérica “é muito bom para os produtores” portugueses, realça.

Por seu lado, de destacar a participação de adegas produtoras de espumantes e cava. A adega Finca La Pintada, das duas produtoras independentes Sophia Choursan e Isabel Cuevas, foi uma das ganhadoras da nova categoria, com o seu cava Finca La Pintada. Esta adega de Almendralejo (Badajoz) começou a produzir cava há três anos e tem três variedades. O espumante ou cava desta quinta premiado no evento foi uma variedade brut, sem adição de açúcar, constituído por Macabeo (90%) e Parellada (10%).

Sendo a primeira vez que participa no evento, o produtor extremenho considera positivo este tipo de prova ibérica, como forma de divulgar a adega e os seus produtos entre os públicos dos dois países.

Esta adega produz mais duas variedades de cava e um rosé. Com forte procura no âmbito da exportação, a Finca La Pintada exporta para os EUA, Bélgica, Alemanha e Japão, e gostaria de exportar também para Portugal.

Os vinhos vencedores serão expostos num espaço próprio do El Corte Inglés em Lisboa e de Badajoz.

O concurso pretende ainda proporcionar o contacto entre organizações e organismos oficiais, portugueses e espanhóis, e promover a nível transfronteiriço a oferta turística e a gastronomia regionais. 

 

 

Texto: Actualidad€

Fotos: Sandra Marina Guerreiro

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